“Essa grande liberdade: identidades LGBTQIAPN+ em Goiás” abre no Centro Cultural UFG com mais de 60 artistas
A exposição Essa grande liberdade: identidades LGBTQIAPN+ em Goiás inaugura no dia 12 de maio de 2026, às 19h, no Centro Cultural UFG, em Goiânia.
Com entrada gratuita, a mostra segue em cartaz de 13 de maio a 10 de julho e reúne mais de 60 artistas e cerca de 120 obras, traçando um amplo panorama das produções LGBTQIAPN+ no estado, atravessando gerações, linguagens e contextos diversos. Sob curadoria de Paulo Duarte-Feitoza, o projeto aproxima diferentes gerações de artistas, colocando em relação produções de Fernando Costa Filho, Fabiola Morais, Adriana Bittar, Marcelo Solá, Divino Sobral e Enauro de Castro a produções de nomes mais recentes, como Benedito Ferreira, Emilliano Freitas, Abraão Veloso, Hilda de Paulo, Gilson Plano, Âmbar Moura e Daniela Marques. A classificação indicativa é de 16 anos.
O título da mostra parte de uma confidência do fotógrafo goiano Samuel Costa, também presente na exposição, em que relata a um amigo, o poeta Luís Araújo Pereira, o desejo de, ao se mudar para a França nos anos 1970, buscar e fotografar uma “pequena liberdade”. A curadoria desloca essa formulação e a amplia, propondo a ideia de liberdade como campo de luta, negociação e invenção de modos de vida.
“Parto de uma expressão íntima para colocá-la em fricção. Essa ‘pequena liberdade’ se expande e revela que a liberdade nunca é dada, ela é disputada. A mostra propõe o encontro entre gerações para pensar como artistas LGBTQIAPN+ têm inventado formas de ser, existir e produzir imagens em Goiás, em um campo que permanece em movimento”, afirma o curador Paulo Duarte-Feitoza.
A exposição também se ancora em marcos históricos da presença e da organização LGBT+ em Goiás. Em 28 de junho de 1996, data hoje reconhecida como a realização do primeiro ato de “orgulho” em Goiânia, anterior ao de São Paulo, que aconteceria em 1997, nove pessoas ocuparam a Praça Cívica reivindicando visibilidade, existência e direitos, sob a vigilância de cerca de vinte policiais. A exposição Essa grande liberdade abre justamente no ano de seu trigésimo aniversário, estabelecendo um arco entre aquele gesto inaugural e o presente. Se muito mudou desde então, nas formas de sociabilidade, nas políticas de reconhecimento e nas possibilidades de expressão, a mostra evidencia que a liberdade segue sendo um campo em disputa, continuamente produzido por meio de práticas artísticas, afetivas e políticas.
Reunindo obras de diferentes períodos e suportes, a exposição evidencia tensões e deslocamentos nas formas de representação. Dois desenhos de 1974 e 1976 de Fernando Costa Filho, obras mais antigas da mostra, concebem a figura do corpo masculino a partir de traçados simples que remetem tanto ao universo das histórias em quadrinhos quanto ao cinema, sugerindo uma construção fragmentada e sequencial da imagem. Carla Abreu, professora da Faculdade de Artes Visuais da UFG, integra a mostra com uma série de materiais gráficos para festas da antiga boate Jump: house of fun, importante espaço de acolhimento para o público LGBT+ na capital goiana, que evidenciam sua atuação na cena cultural da cidade. André Felipe Cardoso, artista recentemente indicado ao Prêmio PIPA, apresenta trabalhos com pedras de mineração envoltas em delicado papel de estampa floral, questionando peso e fragilidade.
Em um dos núcleos expositivos, a mostra se volta ao audiovisual e reúne videoclipes de artistas e grupos da cena goiana, afirmando a música como território de invenção estética e de expressão de subjetividades dissidentes. Entre os trabalhos apresentados estão Shake de Amor, da Banda Uó, além de produções de artistas como Johnny Suxxx and the Fucking Boys, Bruna Mendez, Candy Mel, Maaju e Valentina, que articulam imagem, som e performance como campo de experimentação e visibilidade.
Formada em 2010, em Goiânia, por Mateus Carrilho, Candy Mel e Davi Sabbag, a Banda Uó destacou-se na cena pop nacional ao combinar ritmos populares, como brega e forró, com música eletrônica e uma estética marcada pela irreverência. Integra esse conjunto Lulu Monamour, cantora, compositora e rapper goiana conhecida como “Mademoiselle do Rap”, reconhecida como uma das pioneiras do hip hop LGBT+ no Brasil. Em diálogo com esse núcleo, a exposição também se abre ao cinema e reúne obras de realizadores como Daniel Nolasco, Michel Queiroz e Benedito Ferreira, cujos filmes serão apresentados ao longo do período expositivo.
Na abertura, a exposição contará com a presença das drags queens Leleko Diaz, figura histórica da cena artística de Goiânia, e Morganna Voguel, além de CADELACÉU, DJ e artista visual formada pela Faculdade de Artes Visuais da UFG, que desenvolve pesquisa dedicada aos sons e às expressões musicais da comunidade LGBTQIAPN+. Suas presenças reforçam a dimensão performativa e festiva da mostra, sublinhando a importância da cena noturna, da música e da cultura drag como espaços fundamentais de sociabilidade, criação e resistência.
A mostra faz parte da Trilogia Goiás, projeto de pesquisa e curadoria de Paulo Duarte-Feitoza que toma o estado como campo de investigação a partir da arte, buscando compreender como diferentes produções visuais elaboram, tensionam e reconfiguram seus imaginários e formas de vida. Esta exposição resulta de pesquisa realizada no âmbito do Laboratório de Curadoria da Faculdade de Artes Visuais da UFG, articulando práticas curatoriais, investigação acadêmica e ações de extensão. Iniciado em 2025 com a exposição Não vou negar: artes visuais, território e música sertaneja, dedicada a pensar o universo sertanejo em sua complexidade, o projeto se desdobra agora em uma nova etapa voltada às identidades LGBTQIAPN+ como campo de produção estética e política. Ao articular essas dimensões, a trilogia propõe uma leitura ampliada de Goiás, em que arte, cultura e experiência social se entrelaçam na construção de pertencimentos, visibilidades e memórias.
Participam da exposição: Abrãao Veloso, Adriana Bittar, Âmbar Moura, André Felipe Cardoso, Banda Uó, Benedito Ferreira, Bruna Mendez, CADELACÉU, Candy Mel, Carla Abreu, Carlos Camilo, Carlos Sena, Claus Lima, Cristiano Sousa, Daniel Nolasco, Daniel Oliveira, Daniela Marques, Divino Sobral, Emilliano Freitas, Enauro de Castro, Érico José, Fabíola Morais, félix b. perini, Fernando Costa Filho, Flávia Leme, Gilson Plano, Guilhotina, Helder Amorim, Hilda de Paulo, Hortência Moreira, Humberto José, Jhony Aguiar, Jofre Silva, Johnny Suxxx and the Fucking Boys, Kassius Brunno, Leleko Diaz, leo.nar.do, Lulu Monamour, Maaju, Marcelo Andrade, Marcelo Solá, Marco Antônio Caldas, Marcos Maria Branquinho, Mauricinho Hippie, Michel Queiroz, Monike Goyana, Morganna Voguel, o Santo inimigo do mal, Odinaldo Costa, Paulo José da Silva, Ralyanara Freire, Rodrigo Flávio, Rodrigo Januário, Ronaldo Paixão, Rondinelli Linhares, Salvess, Samuel Costa, Tarcísio Veloso, Valentina, Verônica Santana, Vinícius de Castro, wendel e Wolney Fernandes.
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Serviço:
Exposição: Essa grande liberdade: identidades LGBT+ em Goiás
Abertura: 12 de maio de 2026, às 19h
Visitação: 13 de maio a 10 de julho de 2026, seg a sex, 10h às 17h30
Local: Centro Cultural UFG – Goiânia
Entrada gratuita
Classificação indicativa: 16 anos


