Excesso de tela pode estar relacionado à puberdade precoce
Endocrinologista pediátrica orienta sobre a condição e quando os pais devem buscar acompanhamento profissional
Estudo apresentado durante o 62º Encontro Anual da Sociedade Europeia de Endocrinologia Pediátrica trouxe à tona uma preocupação crescente entre especialistas: o impacto da luz azul emitida por dispositivos eletrônicos no desenvolvimento infantil. A pesquisa, realizada com ratos, demonstrou que a exposição a essa luz pode estar associada a um crescimento ósseo mais rápido e ao início precoce da puberdade.
Os resultados do estudo levantam questionamentos importantes sobre os efeitos do uso excessivo de telas por crianças e adolescentes, que cada vez mais cedo têm acesso a smartphones, tablets e outros dispositivos. Por isso, a puberdade precoce, caracterizada pelo desenvolvimento de características sexuais secundárias antes da idade esperada, tem sido um tema de crescente preocupação entre pais e profissionais de saúde.
“A puberdade precoce é definida como o início do desenvolvimento puberal antes dos 8 anos em meninas e antes dos 9 anos em meninos”, explica a endocrinologista pediátrica Marília Barbosa. “Isso inclui o aparecimento de pelos pubianos e axilares, crescimento dos seios em meninas e aumento do volume testicular em meninos.”
As causas da puberdade precoce podem variar. Em alguns casos, a condição é idiopática, ou seja, não há uma causa identificável. Em outros, pode ser desencadeada por fatores genéticos, tumores cerebrais, lesões no sistema nervoso central ou exposição a hormônios sexuais.
O diagnóstico envolve uma avaliação clínica completa, exames de sangue para medir os níveis hormonais, radiografias para avaliar a idade óssea e, em alguns casos, exames de imagem, como ressonância magnética do cérebro. Já o tratamento depende da causa da condição, não sendo necessário alguns casos, mas em outros com prescrição de medicamentos para retardar o desenvolvimento puberal.
“A puberdade precoce pode ter várias consequências”, alerta a endocrinologista pediátrica. “Pode levar a um crescimento acelerado, mas também a um fechamento precoce das epífises ósseas, resultando em baixa estatura na idade adulta. Além disso, pode causar problemas emocionais e sociais, como baixa autoestima e dificuldades de adaptação social”, reforça.
Marília ressalta que informação é a melhor ferramenta para os pais. “É importante conversar com os filhos sobre as mudanças que estão ocorrendo em seus corpos e fornecer apoio emocional. Além disso, é fundamental procurar um endocrinologista pediátrico para avaliação e acompanhamento adequados.”