Acidentes domésticos levam 14 crianças por hora aos hospitais no Brasil e acendem alerta sobre primeiros socorros

Curso ministrado pela enfermeira e bombeiro militar Clara Vasconcelos ensina pais, professores e cuidadores a agir em situações de emergência com crianças

Tomar um susto com uma criança engasgada, sofrer uma queda dentro de casa ou lidar com uma queimadura na cozinha faz parte da realidade de muitas famílias brasileiras. Em 2025, os acidentes infantis voltaram a chamar atenção no país. Dados levantados pela Aldeias Infantis SOS, com base no DataSUS, mostram que mais de 121 mil crianças e adolescentes de até 14 anos precisaram ser internados por acidentes não intencionais. Na prática, são cerca de 14 internações por hora.

Boa parte dessas ocorrências acontece dentro de casa. Quedas, intoxicações, queimaduras, sufocamentos e engasgos aparecem entre os casos mais registrados. Situações rápidas, inesperadas e que costumam deixar pais e cuidadores sem reação.

Foi acompanhando esse cenário de perto que a enfermeira e bombeiro militar Clara Vasconcelos passou a investir em cursos de primeiros socorros voltados para mães, pais, babás, auxiliares e professores. O foco é ensinar medidas simples que podem ajudar até a chegada do socorro.

“Muitas vezes a pessoa entra em desespero e não sabe o que fazer. E, dependendo da situação, minutos fazem diferença. O curso vem justamente para orientar esses cuidadores sobre como agir de forma segura”, explica Clara.

Durante as aulas, os participantes aprendem manobras de desengasgamento, cuidados em casos de convulsão, atendimento inicial após quedas e queimaduras, além de orientações preventivas dentro de casa.

Segundo a enfermeira, um dos maiores problemas é que muita gente não percebe os riscos existentes no ambiente doméstico.

“A casa parece um lugar seguro, mas existem muitos perigos para uma criança pequena. Uma estante sem fixação, um cordão de cortina, objetos pequenos espalhados ou até alguns hábitos durante o aleitamento podem provocar acidentes graves”, afirma.

Clara reforça que o objetivo do curso não é substituir equipes médicas, mas preparar adultos para os primeiros minutos da emergência, antes da chegada do atendimento especializado.

A discussão sobre primeiros socorros ganhou ainda mais espaço no Brasil após a criação da Lei Lucas, que tornou obrigatória a capacitação em escolas públicas e privadas. A lei foi criada depois da morte do menino Lucas Begalli, que se engasgou durante um passeio escolar e não recebeu os primeiros atendimentos adequados.

Para especialistas, informação e prevenção continuam sendo as principais formas de reduzir acidentes envolvendo crianças. Em muitos casos, atitudes rápidas e corretas podem evitar complicações mais graves.

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