Ano de desafios ou oportunidades? A resposta estará no Feedlot Summit Brazil 2026, com especialistas de quatro países

Reposição valorizada, incertezas no comércio internacional da carne, discussões sobre restrições europeias ao uso de aditivos, efeitos de conflitos externos sobre os custos de produção e maior volatilidade dos preços e dos contratos futuros ampliaram a complexidade da gestão pecuária, especialmente, para os sistemas de recria/engorda e terminação, seja a pasto ou confinamento.

Para preparar os pecuaristas para as melhores decisões, o Feedlot Summit Brazil 2026 reunirá especialistas do Brasil, Estados Unidos, Argentina e África do Sul de 16 a 18 de setembro, no Espaço dos Ipês, em Goiânia (GO). A expectativa é receber um público superior a 2.000 participantes.

Há quase duas décadas, promovido por Rogério Coan, da Coan Consultoria, o encontro é referência para atualização do pecuarista profissional, do gestor de projetos e técnico extensionista. Nesse ano contará com uma programação dedicada a mercado de commodities, gestão de risco de mercado, nutrição avançada, práticas de manejo, sanidade, intensificação produtiva, qualidade da carne e liderança.

A presença internacional será um dos principais diferenciais desta edição, com pesquisadores e consultores ligados a sistemas de produção que enfrentam desafios produtivos, exigências regulatórias e restrições de áreas de produção. Razão pela qual a aplicação de tecnologias na cria, recria/engorda, ciclo completo e confinamento necessitam serem conduzidas com a máxima eficiência técnica e econômica.

“O pecuarista tem que produzir mais arrobas por hectare, calcular custo de produção, fazer boa gestão e buscar a eficiência em todas as fases da produção. Tudo isso vem ao encontro do cenário pecuário que vamos vivenciar nos próximos três a cinco anos no Brasil”, afirma Rogério Coan. Segundo ele, o Brasil mantém capacidade para responder ao crescimento da demanda mundial por carne, mas a menor oferta de animais de reposição e as mudanças no ambiente comercial exigem mais planejamento, maior precisão nas decisões, cálculo de métricas e alinhamento técnico.

Apesar dos desafios, com base na última divulgação da Athenagro, a expectativa é de crescimento entre 8% e 10% no gado confinado e em terminação intensiva a pasto em 2026, ultrapassando 12 milhões de cabeças, impulsionado pela oferta de grãos, maior disponibilidade de coprodutos e recuperação do mercado futuro da arroba.

Conhecimento internacional aplicado à pecuária brasileira
Na programação, da África do Sul, Conrad Coetzer, médico-veterinário e consultor internacional em nutrição de ruminantes, apresentará o sistema integrado de produção, abordando recria e confinamento. O país trabalha com custo elevado da terra e uso intensivo de tecnologias, condição que levou os produtores a aperfeiçoarem a eficiência tanto nas pastagens quanto na terminação.

Dos Estados Unidos, o Feedlot Summit receberá Terry Engle, professor do Departamento de Ciência Animal da Universidade do Colorado, que apresentará avanços na nutrição micromineral de bovinos criados a pasto e em confinamento. A participação tratará das atualizações de exigências de macro e microminerais e da aplicação desse conhecimento em sistemas de alto desempenho.

Também participará T. G. Nagaraja, professor emérito de Microbiologia da Universidade Estadual do Kansas que irá abordar as dietas com alto teor de grãos, acidose ruminal e intestinal e inflamação sistêmica. “A discussão ganha maior importância diante da intensificação dos confinamentos e da necessidade de elevar o desempenho sem comprometer a saúde dos animais”, haja visto que teremos maior restrição de uso de aditivos antimicrobianos no Brasil, analisa Coan sobre o conteúdo.

A experiência argentina será apresentada por Aníbal Pordomingo, pesquisador sênior do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária, com detalhes sobre as práticas de mitigação da acidose ruminal aplicadas nos confinamentos. A Argentina possui restrições ao uso de algumas tecnologias permitidas em outros mercados e mantém atenção à produção de carne com qualidade, seguindo práticas de manejo nutricional inovadoras.

A comparação entre esses sistemas permitirá analisar o que pode ser incorporado às condições brasileiras, informa Coan. “A proposta não é reproduzir modelos estrangeiros, mas compreender as atualizações sobre como os diferentes países trabalham nutrição, sanidade, manejo e gestão diante de limitações técnicas e comerciais próprias”, complementa Coan.

Mercado amplia pressão sobre a tomada de decisão
Além do conteúdo técnico, o congressista do Feedlot Summit Brasil sai muito bem preparado para os desafios de mercado. A programação tratará do impacto da reposição sobre a competitividade e a margem da recria e engorda, do uso de instrumentos para gestão do risco de preços e das perspectivas para os mercados agrícolas e de commodities em 2026 e 2027.

Outro ponto será o comportamento das exportações brasileiras diante de cotas, salvaguardas e barreiras comerciais. “O Brasil é um dos poucos com escala e capacidade produtiva para responder às demandas internacionais, porém, as alterações comerciais podem pressionar preços e exigir mais planejamento no uso de contratos e do mercado futuro”, avalia Coan.

As ricas atualizações do evento também incluem as possíveis restrições a aditivos classificados como antibióticos em mercados compradores. “O tema será abordado sob a perspectiva técnica e econômica”, enfatiza Coan, sobre o papel de moléculas utilizadas na eficiência alimentar, na modulação da fermentação e no controle de distúrbios nutricionais em nível ruminal e cecal.

Entre os especialistas brasileiros estão Maurício Palma Nogueira, da Attenagro; Rogério Goulart, da Carta Pecuária; Thiago Bernardino de Carvalho, da Esalq/Cepea; Marcos Fava Neves, da Fundace/USP e Harven; Rodrigo Goulart, da FZEA/USP; Roberto Barcellos, da Beef & Veal Consultoria; Rafael Cervieri, da Nutribeef Consultoria; Iveraldo Dutra, da Unesp; Flávio Dutra de Resende, da Apta; Antonio Chaker, do Instituto Inttegra; e Junior Fernandes, da Grama Pecuária Eficiente.

Networking amplia troca entre sistemas produtivos
O evento traz ainda palestras sobre integração entre cria, recria e terminação; peso ao abate, produtividade das pastagens, intensificação das fazendas e qualidade de carcaça. “A proposta é mostrar como decisões tomadas em uma fase alteram o desempenho e o resultado econômico das etapas seguintes”, finaliza Coan, curador do evento.

Além das palestras, o Feedlot Summit Brazil é lugar de uma intensa troca de idéias e negócios. De forma dirigida seja no formato de Feedlot Podcast ou Buteco do Feedlot, o participante amplia sua prática de conhecimento e troca de experiências. A expectativa de mais de 2.000 participantes inclui profissionais de diferentes estados brasileiros e representantes de outros países da América Latina, como Paraguai, Bolívia e Uruguai.

Inscrições podem ser realizadas pelo site https://feedlotsummitbrazil.com.br/

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Registro do “Feedlot Summit Brazil” no ano de 2025.

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