Cosméticos prometem estimular colágeno, mas até onde eles conseguem transformar a pele?

Exossomos, PDRN e bioestimuladores ganham espaço nas redes sociais, mas especialista alerta para diferenças entre benefícios cosméticos, procedimentos e evidências disponíveis

Promessas de estimular colágeno, regenerar tecidos e rejuvenescer a pele estão cada vez mais presentes em produtos de skincare e nas redes sociais. A popularização de termos como exossomos, PDRN e bioestimuladores também aumentou o interesse pela chamada estética regenerativa, mas nem todos os produtos atuam da mesma forma ou conseguem entregar os resultados sugeridos pela publicidade.

Segundo o biomédico esteta Dr. Marcelo Pedrosa, cosméticos têm papel importante na hidratação, controle da oleosidade, melhora da barreira cutânea, textura, viço e, dependendo dos ativos, alterações de pigmentação. O limite aparece quando se espera deles uma mudança estrutural na face.

“Um bom skincare melhora a qualidade da pele, mas não podemos atribuir a um creme ou sérum a capacidade de reposicionar tecidos, devolver volume perdido ou corrigir uma flacidez importante. São alterações que envolvem estruturas diferentes e precisam ser avaliadas individualmente”, explica.

A diferença também ajuda a entender o crescimento dos bioestimuladores de colágeno, utilizados para induzir uma resposta do organismo e estimular a produção de colágeno. Para Marcelo, o aumento da procura exige cuidado com as expectativas criadas nas redes sociais.

“Quando falamos em estimular colágeno, precisamos entender onde estamos atuando, qual produto está sendo utilizado e qual resultado é possível esperar. Hoje o paciente recebe uma quantidade enorme de vídeos e promessas de transformação rápida, e nem sempre aquilo corresponde ao que o tratamento consegue entregar”, afirma.

O alerta também envolve tendências como cosméticos coreanos e ativos como PDRN, peptídeos e exossomos. No caso dos exossomos, produtos dessa categoria classificados pela Anvisa como cosméticos têm utilização restrita à aplicação tópica. Cosméticos regularizados no país não são destinados ao uso injetável.

Para Marcelo, o crescimento dessas novidades reforça a necessidade de separar interesse científico de tratamentos que já possuem evidências mais consolidadas.

“Na estética, uma novidade pode viralizar muito antes de termos respostas suficientes sobre todas as suas aplicações. Interesse científico e evidência clínica consolidada são coisas diferentes. Antes de escolher um tratamento porque ele está em alta, precisamos entender o que os estudos demonstram, como aquele produto está regularizado e se existe indicação para aquele paciente”, ressalta.

Segundo o especialista, skincare e procedimentos podem fazer parte do mesmo planejamento, desde que cada recurso seja utilizado para aquilo que consegue efetivamente tratar.

“A melhor indicação começa pela necessidade do paciente e não pelo nome do tratamento que está em alta. A estética avança rapidamente, mas novidade precisa vir acompanhada de evidência, segurança e indicação correta”, conclui Dr. Marcelo Pedrosa.

@drmarcelopedrosa

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